quinta-feira, 25 de novembro de 2010

OBJECTO





Observo os objectos como corpos reais no tempo.

Contam-nos a nossa historia em cima do aparador.

E gasto uma hora apertando o pulso nessa corrente.

Basta-me ciciar o que oiço atrás do espelho.

No oval do rosto sinto a boca amuada a desfazer-se,

gasta de trazer-me à vida todas as manhãs.

Ouves-me do outro lado ainda que vivo?

Acontece-me ainda procurar-te entre os búzios.


Pacé. 31.06.08


Lídia Martinez

terça-feira, 23 de novembro de 2010


e volto e re.volto ao
fragmento.momento.instante.fragmento. ao lugar quase anacrónico entre a
rigidez e a plácida harmonia da paixão da palavra. apaixonadamente
íntegra nua e impredadora. marco de enigmas e instâncias de sucessivos
véus que aforicamente desconstruo. para melhor te ser o sal e a teia.
pura e paradoxal cintilação deste ir mais além no lugar dos anjos e dos
animais. reino oscilante entre o
aludido e o dito indirecto secreto . assim como a presença-ausência. e
volto. para ser fortuita e
progressivamente asa. fragmento e mistério. a nossa casa. tecido de
todos os afectos. tijolos de
Creta.


___________________


no
Piano.

onde escrever é apenas o fragmento.


Isabel Mendes Ferreira


A Crise - José Antunes Ribeiro

Para o Dr.Medina Carreira




Cartas de um filho a um pai e de um pai a um filho sobre a CRISE que aí está!

Querido pai,

Como já deves ter notado a CRISE está por aí há já muito tempo e vai continuar ainda nos próximos anos. Os economistas (e o Dr. Medina Carreira) não sabem quando vai terminar.
Graças a ti e à mãe pude estudar Economia numa boa Universidade e jamais esquecerei tudo o que fizeram por mim. Sou hoje um bom aluno graças aos vossos sacrifícios de todos os dias.
Escrevo-te hoje para te dizer que a Crise aí está e que deves falar com a mãe para que se possam defender melhor nos dias ou anos que se aproximam. Acho que se estivesse no vosso lugar pensaria muito bem os investimentos na vossa loja, não é altura para grandes aventuras, o melhor é esperar para ver. Este é um bom momento para repensar tudo! O Dr. Medina Carreira até concorda comigo e eu aliás sempre segui o conselho dele: "Meninos, juizinho e quietinhos!". 
Mas hoje estou muito preocupado convosco. Pensem bem no que lhes digo! Fale com a mãe e preparem-se para reduzir a vossa actividade!

Beijo do vosso,
Felisberto


Querido filho, 

Cá recebemos a tua cartinha que muito agradecemos. Ainda bem que te mandámos estudar Economia!
Já falei com a tua mãe e pedi-lhe para reduzir pelo menos 50% no nº. de refeições, nas sandes, copos de tinto, cafés, cálices de aguardente e tudo o mais... 
Graças a ti, querido filho, pudemos concluir que a CRISE está aí! Também às vezes vejo e revejo o Dr.Medina Carreira e sei que há amigos meus mais novos que quando as crianças se portam mal dizem sempre olha que se não te portares bem vem aí o Dr.Medina Carreira e diz: "Meninos, juizinho e quietinhos"! E parece que dá um grande resultado!
Podes, pois, ficar descansado. Cá por casa vamos seguir à risca o teu conselho porque se te mandámos estudar Economia com tantos sacrifícios é para agora podermos benificiar da tua preciosa ajuda.
Um grande beijo do pai e da tua mãe,

Teodósio Fortunato


Querido pai, 

Ainda bem que ouviram os meus conselhos e os do Dr.Medina Carreira, homem sábio e avisado, que temos a felicidade de ouvir e cuja receita vai resolver todos os problemas na Educação: "Meninos, juizinho e quietinhos". Agora só fico à espera das receitas para o resto da Crise. Porque elas não faltam em todos os sectores, em todas as coisas e em tudo quanto é país neste Planeta! Agora já só podemos mudar de Planeta!...
Mas a minha cartinha de hoje é ainda para sublinhar uma vez mais a CRISE que aí está! Ela continua cada vez pior e veio para ficar. Acho que a Toyota também está em crise!
Fale com a mãe e diga-me algo que me deixe mais descansado.
Um beijo deste filho agradecido pelos sacrifícios que fizeram para que eu possa tirar o meu curso de Economia,

Felisberto


Querido filho,

Estive ainda agora a conversar com a tua mãe e quero que fiques descansado connosco. Continuámos a cortar na oferta aqui no nosso estabelecimento e tens mesmo razão: vendemos cada vez menos e quero agradecer-te a ti (e ao Dr.Medina Carreira) porque agora sabemos que a CRISE está mesmo aí! Ainda bem que te mandámos estudar e ainda bem que temos televisão. Eu e a tua mãe damos graças a Deus por te termos enviado para a cidade para o curso de Economia. O nosso orgulho é enorme. Só para nos dizeres que a Crise está aí já valeu a pena teres estudado!
Não te preocupes connosco. Estás no bom caminho. Qualquer dia a TV precisa de ti para substituir o Dr. Medina Carreira e talvez consigas fugir da Crise.
Um beijo dos pais que te adoram,

Teodósio Fortunato


Querido pai,

Aproxima-se o Natal e o Fim do Ano e eu bem gostaria de vos trazer boas notícias.
Infelizmente não se vislumbram melhorias. Estou cada vez mais preocupado convosco!
Vou aí passar o Natal e o Ano Novo e teremos oportunidade de conversar a sério sobre tudo isto.
Beijos para o pai e para a mãe,

Felisberto


Querido filho,

Tinhas toda a razão. Tu e o Dr.Medina Carreira fizeram bem em ter estudado tanto para nos alertarem para os problemas económicos! 
Quanto a nós vamos a Fátima agradecer a Nossa Senhora por nos ter dado um filho que acertou em cheio na crise. Ela aí está em todo o seu esplendor: JÁ NÃO VENDEMOS NADA! Ainda bem que te mandámos estudar. Ainda bem que temos olhos para ver o Dr.Medina Carreira. Tu és o nosso orgulho! Esperamos-te no Natal já com o estabelecimento fechado. Crise maior não pode haver!
Beijos deste pai e da tua mãe,

Teodósio Fortunato

(J.A.R.)


DAQUI

AMOR COMBATE - Joaquim Pessoa



Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:
O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E Primavera.
Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.
O nosso amor é uma arma. E uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.
O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.
Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.
Joaquim Pessoa, Amor Combate

in por outras palavras



Eu já fui alegre. Já cantei o povo.
E forjei as armas na forja do tempo.
Mas cantar de amigo é cantar de novo
e eu trago as palavras caladas cá dentro.



Joaquim Pessoa in AMOR COMBATE, 



Caminho dos lobos - Lídia Martinez

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ontem, esqueci-me de te inventar
o basalto da calçada 
endurecia-me os passos frios
sem destinos mansos
se te lembrares de beber a água
desses sonhos adiados
faz-te chuva e molha-me as palavras

que os beijos, esses, 
são esquecidos

Sophie, Nov 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

vai. voa. reaparece vestal e depois adversária da noite e profética do barro. voa visionária e bíblica sobre as páginas d0 indomínio e rente à fala dos que murmuram templária. vai e volta depois. nómada. pura. desencoberta e diáfana. ser ilha é preciso.


IMF in PIANO

Pedra Filosofal

Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão
In Movimento Perpétuo, 1956

Vida

Vida

Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja —
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.
Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta — até essa vida...
Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.
(...)
Álvaro de Campos - Lisbon Revisited

Adeus


Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou se preferes, a minha boca nos teus olhos,
carregada de flor e dos teus dedos;
Como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve, e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens,
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.
Eugénio de Andrade
Até sempre!

Há palavras que nos beijam



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill

Saudade


Saudades! Sim… talvez… e porque não?…
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?… Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Arquipélago dos dias - João Costa no papel de escritor.

Arquipélago de dias


Espaçam-se entre si os dias que fazemos nossos.
Ilhas isoladas no oceano do tempo,
que nem em arquipélago se conseguem manter,
no calendário que não escrevemos,
esquecemos!

João Costa


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sobre José Antunes Ribeiro escreveu Maria Graciete Besse.


Fotografia de JAR durante DIZ A NOITE em Cascais.


"PARA ALÉM DO VOO DA CORUJA, AS FRONTEIRAS DO ENIGMA

Ao José Antunes Ribeiro


Por mim falar-te-ei do esquecimento e da perda, de tantos sonhos arrastados no fluir desse rio de que somos secretamente cúmplices, soletrando a disforia, navegando memórias para sempre coladas à vertigem de um voo que é elogio da opacidade, forma visível de nomear a estreiteza do tempo.

Nas tuas palavras respiro a teoria do fogo, a projecção infinita do sangue, como sentir iluminado no momento de contabilizar ruínas e descobrir, no mais fundo do silêncio, o peso nocturno dos amigos mortos. Longe ou perto, o caminho da poesia inevitável. Longe ou perto, a voz da loucura mansa.

Era assim a aproximação do real, a sua negatividade devoradora. Por vezes, a ironia, a crueldade. Por vezes, a ternura espessa. Nas margens de uma revolução que foi cais de embarque para febres visionárias, a esperança a flutuar no imenso magma de pérfidas traições. Lisboa sem memória, apagada e frágil.

O teu rio atravessa os territórios da alma e fecunda o imenso mar da desordem, em cruzamentos de enigma para decifrar mais tarde. Por ele escorregam parcelas de identidade, emigrantes, retornados, canções de poetas exilados, sombras de jovens soldados para quem a morte se confunde com o perfume de sonhadas raparigas, grávidas talvez, a sorrir na eternidade das promessas, deusas de cabelos soltos ao vento, os gestos leves como ervas de amor, o álcool fugaz de todas as iniciações.

As sílabas do teu grito tecem pacientemente a urdidura das dúvidas, tecido manso de viagens para além do voo da coruja, seu riso de destinos entrelaçados na cruel passagem do tempo, de mãos dadas com a lua, a piar de lucidez como ninfa das trevas, incapaz de suportar a maldição da claridade.

O homem que se perde nas esquinas da cidade ignora certamente o murmúrio das águas que resvalam pelo medo, lágrimas litorais a conjurar a insolência das feridas, quando a explosão se anuncia por entre as palavras que dizem as múltiplas coagulações da violência, as pedras, os punhais, a lenta dissolução dos heróis em pátrias de autoridade e de conquista.

Mesmo se tudo passa como um imenso riso de fluidez obscura e ambígua, os poetas continuam a avançar pela caverna tenebrosa dos presságios, levando na mão uma tocha antiga que é chama capaz de iluminar a espessura perfeita do vazio. E assim tudo estremece na incerteza de um mundo vacilante, respeitando um ritual misterioso, inscrito em transparência nas raízes da voz, como imensa matriz cósmica, formuladora de infinitas possibilidades para o tormento de existir. À procura da totalidade. Escavando auroras por dentro da trama confusa do sentir. Na pista do esplendor.

De súbito, o relâmpago das palavras ilumina o horizonte. Alguém ousa a identificação dos contrários, na busca incessante de um percurso sem regresso nem destino, aprendizagem do caos em noites de amor e bruma.

A ave nocturna anuncia o rio do esquecimento, mas há namorados sentados à beira das ruínas, a construir enigmas com a sede das florestas junto ao mar. Entre a consciência e a noite, o corpo intacto, na travessia subtil das aparências.

O narrador confirma: "é sabido que só os poetas apontam o caminho"

Maria Graciete Besse

(Maria Graciete Besse é Professora Catedrática na Sorbonne, Paris IV, onde entre outras actividades, é responsável pela equipa de Estudos Lusófonos. Tem uma vasta obra publicada entre Poesia, Ficção e Ensaio.)


Também pode ler aqui, textos do Poeta José Antunes Ribeiro





segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BREVEMENTE





DIZ A NOITE

Noite Poética na Biblioteca Casa da Horta Quinta de Santa Clara.

Da alma do Poeta para a alma de quem o sente.
Ler. Ouvir. Dizer. Cantar.

É como o descerrar da aurora

depois da penumbra da noite.

Diz a noite.

Um poeta.

Um poema.

Um livro que contém todas as palavras.

O código do murmúrio das metáforas.

Senti-las como suas e dizer:



"a poesia nunca se abate ________ é a respiração frásica da alma"


Isabel Mendes Ferreira


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Em teia.



É das glândulas de uma Poeta mayor que são produzidos os mais puros fios da seda tecidos numa renda fiada pelo amor e pela sabedoria de quem sabe "ver com os olhos da alma".



Isabel Mendes Ferreira não é só uma pessoa fácil de se gostar. É uma Poeta de grande riqueza imaginística, como foi dito e escrito por David Mourão-Ferreira.
Num dia de boas memórias li que a escrita de Isabel Mendes Ferreira "é como um lento refazer do respirar, um alvor da manifestação e da emancipação de todos os caminhos, sentidos e fins perante o infinito a que tudo se reduz" (José Pires F, amigo e também "posfaciador" do último livro de IMF). Esta é talvez uma das descrições mais abrangentes sobre IMF que já tive oportunidade de ler.
Dos muitos fios de seda por onde me tenho encaminhado, um deles é deliciosamente científico. Digo científico por António Alçada Baptista um dia ter dito que os dons de IMF lhe foram atribuídos como herança genética. Isabel Mendes Ferreira, sendo uma Poeta contemporânea com publicações desde os inícios de 80, despertou a curiosidade dos mais elevados nomes da nossa cultura, tendo privado com muitos deles, alguns já desaparecidos.

Depois de 20 anos, ou quase, sem publicar hoje faz furor junto dos seus leitores. Como diz Domingos Duarte Lima sobre a autora no Prefácio do livro "As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar" (...)" A sua voz é absolutamente singular e única."

No mesmo livro e no posfácio assinado por um grande crítico literário, José Pires F, pode ler-se sobre a Poeta que "O sentido ambíguo da sua escrita, converte-se no que o excede e onde ser o mesmo é ser outro de si (é outrar-se, como diz Fernando Pessoa), o que apela à desconstrução do discurso tradicional".

Há muitíssimo mais a dizer e a descobrir sobre esta Poeta, contudo vou reservando muito do que sei e conheço por ser devido à Poeta todo o respeito e a preservação da sua intimidade. Porém, qualquer um de nós, como faz Lídia Martinez e tantos outros, pode e deve mostrar-se o quanto é admirada por outras personalidades da nossa cultura, dentro e fora de Portugal.

"Somos aquilo que comemos, somos também aquilo que lemos e, nesse sentido..."

Domingos Duarte Lima em Prefácio de "As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar", Editora Babel, 2010

Obrigada Lídia Martinez, pelo fio de seda.










____________em contratexo até a imaginação é futuro. que dispo. dispersamente em fragmentos. uns de
enigmas . outros apenas de pétalas secas. uma aranha faz de véu neste dia experiente.

Isabel Mendes Ferreira

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Há amigos assim.



Para celebrar o aniversário de um homem que respeito e amo numa amizade que me veio num fio de renda tecida a ouro, em filigrana ou mosaico do puzzle da vida. Sem si, o tempo não seria tão rico.


Beijo





há amigos assim________________que nos são um pouco mais de alma quando a alma se deixa em repouso e se apenumbra. eles são a pétala de uma flor que se cuida sempre. há amigos que nos repousam o lado menos claro do coração.
Tu és um. raro. Parabéns PiresF_________________mil anos de vida...:)


IMF

Desculpe Poeta, por ter trazido as suas palavras para este espaço.