domingo, 19 de julho de 2009

VOLTAREI





Vou. Antes deixo-vos a voz de Luís Gaspar, do Estúdio Raposa,
no programa Erótica 12, 
em 2007.

Não deixem de ouvir PÚBIS ROSADO no Estúdio Raposa

in "A mais loura de Lisboa", 1984

Ou então, para quem está em Lisboa, pode dirigir-se à Biblioteca Nacional. 
Lá poderá ler "A mais loura de Lisboa" na integra.

Especial agradecimento ao companheiro e investigador da obra de Isabel Mendes Ferreira.

UM POETA PARA DESCOBRIR.

Uma nova revelação.


Diz IMF


"escrever para que a alma escute o seu respirar. reclamar o amargo e o
maravilhoso. o insólito rugido de um corpo sempre floresta.
entrar às escuras no sangue fervente que tanto é raiz como fruto.
ser excessivo e espartano. vago e objectivo. anel e árvore. escrever para
ninguém. como quem compõe um adágio solitário e carinhoso. orquestra de
sílabas e de carne. a matéria de um violino a ser cárcere e prado . tudo na
mesma delicada sombra onde se perde a vida."

IMF, in Hora Tardia.

Retirado do Blog do também Poeta e amigo de Isabel Mendes Ferreira, Porfírio Al Brandão.


A obra da Poeta, Escritora e Pintora IMF está efectivamente esgotada. Esgotou cedo. 

Para colmatar tão grande lacuna, deixo-vos para este período de férias um gomo de laranja doce, um bago de uva e uma talhada de melancia, da obra de Porfírio Al Brandão*. 
Saboreiem que eu vou fazer o mesmo. 

* Garantia assegurada por IMF.

Infracarnália

[Palimage, 2007] 
 
O mundo é um grandecíssimo cadáver
com moscas de vaivém para abrilhantar.
 
 
José Cardoso Pires in Balada da Praia dos Cães




I – O CÓRTEX








Cuspir a carne por ser nauseabundo
o seu odor bloco a bloco encaixado
já limbo sonoro onde se acama
OUTRÉM-GRITO a roer a casca
e encontrando branco o subterfúgio
disfarçado dizer subterrâneo pois
maldita e insurrecta a garganta engravida
de viscos e soberbas testamentárias
EU-QUEM a abocanhar o êxodo
à cauda da laranja morta
ainda amamentando a cobra
que desliza verde entre os gomos

Moral Canibal

 
 
[Palimage, 2005] 
 
PRELÚDIO QUARESMAL
OU
MONÓLOGO DO CORDEIRO MORTO
PELA LANÇA VOCABULAR



ó de mim...
tanta culpa na constelação dos membros.
a lâmina dos beijos decepa, em órbita, figurações espontâneas
que amaria eternizar.

olhai para mim...
eu sou o cordeiro abençoado que abre o peito diante de vós,
o excelso exemplo de quem realmente despe músculo a músculo
a razão monumental do encharcamento pulmonar.

preparai-vos...
prometidos estão os meus restos para a vossa ceia festiva,
orgulho preliminar antes do mergulho da coroa a ensanguentar, o azul na
devassidão das vossas vísceras compulsivamente arredadas
do antro luzente por um bocejar matinal.

depois do sono a amnésia...
visitar a fábrica dos horrores suavizados, apreciar os rostos
estampados nos rótulos do produto moralizador empacotado,
estudar a genealogia dos monstros de lodo artificial
que habitarão o futuro.

concentrai-vos na rotação dos meus olhos inchados de sangue...
vereis três éguas a parir ferrugem no fogo emudecido.

aposto os meus intestinos que na vossa endiabrada cabeça,
vive somente o emparcelado mundo da probabilidade dedutiva;
sei que ocorrem constantes mutações no vosso crânio e que
a cada rotação da máscara cárnea surge um novo padrão colorido
que mais não é do que um elementar truque de ilusionismo óptico...
eu à vossa imagem ou melhor, o meu rosto de cordeiro mal morto
reflectido na mesa das apostas.

projectai a minha súmula genética na vossa indisposição; apraz-me até,
relembram-me velhos tempos... eram doze a comer-me
e eu gostava... ainda gosto.

e os textos? queimai-os, assim como o sonho da erva
que apesar de fresca era amarga, e enterrai vivo o calendário das lendas
na pele caramelizada ainda a soletrar o deserto.

conto-vos que
o urso imperador deu ordens queimando a pele rochosa
ao vento do norte.

jangadas de cinza descem a garganta, cravando na carne
o gosto repelente pela irmandade dos arbustos que se reúne
todas as noites na planície enfeitada com cestos de fruta podre
brotados da terra – o pequeno-almoço do monstro
da nova manhã.

confesso, há muito que o beijo dos triângulos incendiou
a trilogia dos espíritos, e o fumo será o perfume dos que condenam
as leis da ampola do tempo.

qual sacrilégio em cada degrau...
o monstro da nova manhã sozinho canta e brinca
com o seu rouco eco.

de vez em quando, torna-se necessário ler o rebanho das gotas de água
no vidro baço da melancolia,
puzzle de trevos verdes para todo o sempre pisado
– aqui tens a tua terra!

todo o meu interior exposto às moscas e aos homens...
mas a minha dor deve-se ao nojo inócuo das palavras,
ao tédio corrosivo do discurso que desliza entre os mosaicos de saliva
perpetuados nas saias do tempo.

assim morro com esta lança cravada no peito... e da ferida apenas escorre
a seiva de detritos que desisti compreender, vurmo baptismal indiciador
da condensação do pecado e não da sua suposta absolvição.

em verdade vos digo, no próximo mundo o crocodilo será vegetariano.

nesta mesa onde vos espero me confesso... aqui me acuso
e me calo.


O Bailado das Facas

 
[Palimage, 2004]
O ECLIPSE DO CÉREBRO
para cada eco há um ouvido sempre pronto
escutando o tambor apressado e tenaz
manipulo as sombras estuais do passado
faz muito frio nas passagens vocabulares
e a certa altura
todas as vozes se contradizem
– o que é mais construído é a destruição

Boca do Mundo

[Universitária Editora, 2004]
 
 CIO

amancebam-se os bígamos pois é etéreo
o caminho da paixão roxa – irá o corpo enlanguescer
nas núpcias como logro? amante ou locatário?
eis a dúvida da nova praia – a cama enluarada
é o leito fúnebre de Platão

o maganão de olhos esverdeados solta a fúria
na espiral dum beijo
lava-se no lago sagrado agitando as águas
depois do banho reduz-se a um cadáver
manchado de néon que conserva no peito
um ninho de aves de sangue frio

o edifício de açúcar erigido em tempos
entre as árvores de betão foi demolido
e resta agora o regozijo pesaroso
aquando a despedida das aves migratórias – o cadáver
acena com sua mão construída de musgo
e líquen – 
adeus aves perfumadas
 

O Príncipe Nu

 
[Palimage, 2002] 
 
Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura duma certa quantidade

Mário Cesariny

CHAMAMENTO

levanta-te do chão
morde as palavras soltas
prostra-te agora
e ajoelhado agarra toda a terra
até sentires a lama a causticar os ossos

pulveriza as máscaras de calcário impostas
e erguendo o rosto caminha em direcção
à silhueta de lume que pulsa
entre os ramos da árvore sibilina

Ancoradouro

 
 [Universitária Editora, 2002]
 
pousa a boca no peito fissurado da terra
colhe o silêncio do que está morto
regressa para onde nunca estiveste
reconstrói em ti a pequena ruína dos brinquedos
no quarto escuro refaz o fugitivo corpo

da rumorosa existência de papel bebe
a ansiedade venenosa das palavras o sangue
das perdidas aves no surdo coração da viagem

quando chegares ao límpido limiar do corpo
incendeia a cruel noite da infância despede-te
porque ao regressares aos tristes dias de hoje
terás esquecido a breve alegria do rosto e
uma luz extinguir-se-á vagarosamente
no interior da mão envelhecida
Al Berto
 
 
ABISMO

falar da montanha
o real da cordilheira de papel sem jasmim
o cheiro a suor como soporífero
terror dos currais ambicionados

decanto o pranto desenhando a anca
absorvo o fluido predilecto
a tarde em que morre o cárcere
dono do esperma ressentido

uma cara desertora exibe o silêncio
dum monólogo interior
apagam-se mãos nas cortinas encarnadas
e as pevides não ardem;
ainda é cedo para ressuscitar
o nódulo encarapinhado

derrapo fedendo em mim
num chão de desejos rotulados
a abelha brocada persegue-me
ao vislumbrar a soldadura incólume
prevendo a luxúria nos lábios

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A PEDIDO DE UM BOM AMIGO.

Vermelho Doce é...

Deixo-vos o Prefácio pela mão de Jorge M. Laureano Jacinto

e assim, levantar o pano de tão bela obra. E actual, apesar dos 17 anos que o separam dos dias de hoje.


"Conheci Isabel Mendes Ferreira. Este ano.
E fiquei encantado. Pela sua
disponibilidade para a vida, o encanto de quem a aceita como tal.
Pintora, poetisa e escritora esta mulher não se deixa derrotar, nem vencer. 
Pelo contrário, agarra a vida com doçura e garra.
Não é por acaso que escrevo sobre Isabel Mendes Ferreira neste local. Ao ler mais uma obra sua, apercebi-me quanto é difícil separar nos seus trabalhos a protagonista da narradora.
Principalmente em "Vermelho Doce". Se isto não é Literatura autobiográfica, o que é então?!
Mais. Isabel Mendes Ferreira escreve como quem vive sente e sonha, sem cair nos absurdos e excessos de alguns jovens escritores contemporâneos. Em particular dos que habitam lá para os lados de Hollywood. Em Isabel Mendes Ferreira o marcar da pontuação faz sentido e não é um simples recurso de estilo para suprir lacunas no domínio da linguagem escrita. Isabel Mendes Ferreira escreve com sentido. 
"Vermelho Doce". Uma novela enquadrada pelo doce da poesia, o que faz com que este registo seja difícil de definir. Até quando ele recorre a instâncias estruturais______________O livro divide-se por cores, tons que marcam épocas e vivências____________
baralha e dá de novo, já que se aproxima subversivamente do conto. Pois então. Ao fim e ao cabo, Isabel Mendes Ferreira compromete-se entre o que conta e que canta, entre a memória e a vida, numa escrita que corporiza vivências.
"Andam romances no Bico das Gaivotas"."

Assinado

Jorge M. Laureano Jacinto

UM CORPO (SUB)EXPOSTO DE ISABEL MENDES FERREIRA


A obra de IMF tem sido amplamente citada. Não que a Poeta se dê a conhecer facilmente. Não. Ela esconde-se. Mas quem procura sempre encontra. Vou dar uma ajuda a todos os interessados na obra daquela que é uma das maiores Poetas contemporâneas. Se não a mayor.

Também reside na Gulbenkian para consulta.

Para quem está no Norte, em Matosinhos na BIBLIOTECA FLORBELA ESPANCA existe aqui um livro de IMF para consulta. Este.
N'O LUGAR DOS OUTROS têm de encontrar o dia 18 de Outubro 2008.

a 6 de Junho de 2009 em JANUELLARIUM também figura UM CORPO (SUB)EXPOSTO

E na BIBLIOTECA da ESCOLA SUPERIOR DE HOTELARIA E TURISMO também se pode ler UM CORPO (SUB)EXPOSTO

UM CORPO (SUB)EXPOSTO SURGE EM 1983


Nesta fase da vida, a Poeta IMF já tinha participado em programas de rádio e de TV. 
A sua versatilidade, plasticidade e adptabilidade levava-a a criar ininterruptamente.
Em 1985, expõe na Galeria Alta Mira em Cascais. A sua produção artística não mais parou.

Aguardamos serenamente, Poeta. Por Si. 


quinta-feira, 16 de julho de 2009


"Recordar, registar e ainda viver é o mais que se pode pedir a um escritor.
A PRODUCE agradece a Isabel Mendes Ferreira a sua coragem e saber,
bem patentes na presente obra.
Os nossos agradecimentos À Rádio Comercial pelo apoio dado ao lançamento da obra.

São anos de respeito pelo que é português". 

Pode ler-se na apresentação da ficha técnica deste precioso livro.



quarta-feira, 15 de julho de 2009

AINDA EM 92 IMF PUBLICA "VERMELHO DOCE"

Também a LILITH publicou o texto integral que aqui se apresenta

A Revista de Arte e Crítica de Viseu AVE AZUL  apresenta uma imagem do mesmo livro com o texto integral.

terça-feira, 14 de julho de 2009

CA ESTÁ MAIS UM DE 1992 - CANTO CHÃO

PONTO FINAL


Em 1991 a Poeta, Escritora e Pintora 

Isabel Mendes Ferreira 

publicou uma obra que, segundo a crítica,

 "apresenta o perfeito conhecimento dos ciclos dos tempos." (cit.)

A obra de IMF tem sido amplamente citada. Não que a Poeta se dê a conhecer facilmente. Não. Ela esconde-se. 
Mas quem procura sempre encontra. 

A MAIS LOURA DE LISBOA, IMF NO CADERNO DE CAMPO



"Lisboa tinha o mar mesmo ali. soberbo e submisso em ondas de volúptia. em carradas de peixes luminosos e traineiras brancas e azuis com nomes em letras grandes e vermelhas. lembrou-se da fogueira dos ciganos. 
do mistério rubro que andava à solta 
pelas noites de Agosto."

Isabel Mendes Ferreira

in “A mais loura de Lisboa "

RETIRADO DE CADERNO DE CAMPO, 18 de Março 2009


segunda-feira, 13 de julho de 2009

APRESENTO-VOS A POETA IMF PELAS PALAVRAS DE LILITH


A POETA IMF QUE VOS APRESENTO É ASSIM.

ALGUÉM QUE NÃO PRETENDE PROTAGONISMOS SALOIOS. 

UMA HOMENAGEM ENCONTRADA EM LILITH SPACE AQUI

Terá sido mais uma caminhante enamorada do vazio, o fosso anónimo a cobri-la, o alimento constituído de cenários iluminados por lanternas mágicas. Tudo é preferível à clarividência que dói mais do que as cinzas da ilusão.

Com o mesmo ímpeto com que revelara o lirismo às golfadas acerbando-o pelas cidades do mundo movida por artes de algo sem nome, haveria de partir de mãos vazias sem troféus, a miséria escondida sob uma capa de ouro, o guião por escrever memórias debicadas, ávidas de consolação.

No murmúrio da casca meio desfeita amputadora da essência, expurga nas linhas de transparência sagrada os castelos que constrói na provação do acreditar. Esfinge aparentemente decifrada revela sempre enigmas no atoleiro de sentires tão vividos que têm de ser contados na volta ao mundo da alma em voz dolente e salgada.

Solta de correntes, contenta-se em narrar o que vive, e se o narra é porque o vive nos prados inventados, páginas de sobriedade que aborrecem de morte repletas do gosto amargo das partidas no viver que é pão, no fermento que é sexo, a senda mais perigosa que a consome.

As noites e os dias são perfeitos até a música cessar, bastará o olhar a engolir a paixão até se esvair lentamente à serenidade, no fundo gravada na fibra íntima, as fendas onde se partilhara seladas com gotas de âmbar e sonha ao chegar ao fim da rota, sair do mundo com as mãos floridas.



Dedicado a Isabel Mendes Ferreira.

O FOTÓGRAFO DA POETA IMF EM "VERMELHO DOCE" E "CANTO CHÃO"


MARCELO VIGNERON

FOTO DAQUI http://forum.brfoto.com.br/index.php?showtopic=24728

O fotógrafo Marcelo Vigneron é repórter fotográfico e tem formação em história pela Universidade de São Paulo. Começou a fotografar em 1986, em publicações na área de transporte e veículos.. Já trabalhou para as revistas VIP, Exame, 4 Rodas, Veja, Guia Rural e Arte & Decoração. No início da década de 90, mudou-se para Lisboa, onde foi editor de fotografia do Grupo Forum (portal da internet).

Desde esta época tem um profundo relacionamento com Portugal, que já o levou a realizar um ensaio fotográfico "Duas Áfricas", em Moçambique, exposto no MIS de São Paulo em Julho de 2000.

As fotos aqui expostas fazem parte do livro "Brasil 500 Anos – Memórias Portuguesas", lançado no Brasil. Atualmente vive e trabalha em São Paulo comofree lancer...

LARANJEIRA SANTOS - ESCULTURA DE GRANDES DIMENSÕES



PERCURSO ARTÍSTICO DO ESCULTOR LARANJEIRA SANTOS AQUI