segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Em teia.



É das glândulas de uma Poeta mayor que são produzidos os mais puros fios da seda tecidos numa renda fiada pelo amor e pela sabedoria de quem sabe "ver com os olhos da alma".



Isabel Mendes Ferreira não é só uma pessoa fácil de se gostar. É uma Poeta de grande riqueza imaginística, como foi dito e escrito por David Mourão-Ferreira.
Num dia de boas memórias li que a escrita de Isabel Mendes Ferreira "é como um lento refazer do respirar, um alvor da manifestação e da emancipação de todos os caminhos, sentidos e fins perante o infinito a que tudo se reduz" (José Pires F, amigo e também "posfaciador" do último livro de IMF). Esta é talvez uma das descrições mais abrangentes sobre IMF que já tive oportunidade de ler.
Dos muitos fios de seda por onde me tenho encaminhado, um deles é deliciosamente científico. Digo científico por António Alçada Baptista um dia ter dito que os dons de IMF lhe foram atribuídos como herança genética. Isabel Mendes Ferreira, sendo uma Poeta contemporânea com publicações desde os inícios de 80, despertou a curiosidade dos mais elevados nomes da nossa cultura, tendo privado com muitos deles, alguns já desaparecidos.

Depois de 20 anos, ou quase, sem publicar hoje faz furor junto dos seus leitores. Como diz Domingos Duarte Lima sobre a autora no Prefácio do livro "As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar" (...)" A sua voz é absolutamente singular e única."

No mesmo livro e no posfácio assinado por um grande crítico literário, José Pires F, pode ler-se sobre a Poeta que "O sentido ambíguo da sua escrita, converte-se no que o excede e onde ser o mesmo é ser outro de si (é outrar-se, como diz Fernando Pessoa), o que apela à desconstrução do discurso tradicional".

Há muitíssimo mais a dizer e a descobrir sobre esta Poeta, contudo vou reservando muito do que sei e conheço por ser devido à Poeta todo o respeito e a preservação da sua intimidade. Porém, qualquer um de nós, como faz Lídia Martinez e tantos outros, pode e deve mostrar-se o quanto é admirada por outras personalidades da nossa cultura, dentro e fora de Portugal.

"Somos aquilo que comemos, somos também aquilo que lemos e, nesse sentido..."

Domingos Duarte Lima em Prefácio de "As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar", Editora Babel, 2010

Obrigada Lídia Martinez, pelo fio de seda.










____________em contratexo até a imaginação é futuro. que dispo. dispersamente em fragmentos. uns de
enigmas . outros apenas de pétalas secas. uma aranha faz de véu neste dia experiente.

Isabel Mendes Ferreira