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e éramos. duas lágrimas de cristal. lapidadas em curva. crivadas de retornos e de saudade. dois rios pródigos que se bebem no pescoço da memória nunca incendiada e sempre cal. duas pedras infacetadas como todo o êxtase no lado mais peregrino do circulo que nos é medida. cativa.
e somos. legíveis. sem pânico sem rede sem poeiras arbustivas. somos. a chave. a face. o extremo que é sempre extremo. o templo. o cálice e o claustro.
Isabel Mendes Ferreira in As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar.
E, foto de Paula Viotti
Lágrima suspensa, do Mestre José Rodrigues no Convento de Sam Payo.
Uma escolha de José Pires F, o "Posfaciador" de "As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar",
de Isabel Mendes Ferreira, Babel Editora, Chancela da Arcádia, Lisboa 2010.