sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre a técnica de escrita utilizada por IMF, disse David Mourão-Ferreira...

Fotografia retirada DAQUI


"... Uma grande riqueza imaginística, uma discreta variedade de ritmos, uma permanente oscilação entre o quotidiano e o insólito, o coloquial e o depurado: estas serão, se não erro, algumas das maiores virtudes de tais textos, no que à respectiva escrita se refere. Mas importa igualmente sublinhar como essas virtudes se vêem aqui “servidas” pelo próprio processo de pontuação adoptado pela autora – processo que não constitui, de modo algum, como por vezes acontece em outros escritores novos, um simples tique de expressão ou um mero maneirismo gráfico, antes o modo muito adequado de sugerir, na teia criada pela “corrente da consciência” a partir de certos instantes, que o ponto final representa apenas uma pausa provisória e que a minúscula que se lhe segue mais não faz que retomar o fluxo daquela corrente. Se desci à consideração de tão ínfimo pormenor, foi somente para pôr em relevo, nos textos de Isabel Mendes Ferreira, o íntimo equilíbrio existente entre o macro-fenómeno da mundividência e epifenómenos da micro-estrutura. Será possível observar semelhante equilíbrio em grande número de autores muito mais experimentados?"



DAVID MOURÃO-FERREIRA

sobre "a mais loura de lisboa"